Maraisa Pedrosa Silva está desempregada, atualmente solteira, tem 26 anos e é mãe de duas meninas, uma de 6 anos e outra de 7 meses. Há seis anos saiu do Ramal do Geraldo, interior do município de Feijó, para trabalhar como doméstica na área urbana da cidade, que fica a 363 km de distância da capital do Acre.

No trabalho, convivia com uma família composta por um senhor de 52 anos divorciado e seus dois filhos. Após alguns meses, seu patrão passou a presenteá-la, demonstrando interesse na jovem. Após alguns meses ele pediu que ela fosse morar em sua casa.

Encantada com a promessa de uma vida melhor e sentindo segurança, contou à sua família, que concordou com o relacionamento. “Ele me enchia de presentes, mas não falava em casamento. Aí foi se apaixonando por mim. Eu contei a minha família que ele me defendia e que era bom para mim. E eles acreditaram, assim como eu”.

Ele, que exercia a profissão de professor, saiu da casa em que morava com os filhos e alugou outra para morar com sua nova esposa. Em 3 meses de união, ela engravidou da primeira filha do casal.

Mudanças

Após quatro anos juntos e no período de sua segunda gestação, a situação começou a mudar dentro da casa de Maraisa. Com dificuldades financeiras, devido a dívidas adquiridas, o marido passou a ter atitudes diferentes, sendo agressivo inclusive na frente da sogra. Na época, enfrentou várias privações. “Passei fome na gravidez, muita fome, durante toda a minha segunda gravidez, meu marido se endividou por causa dos filhos”.

Mesmo se dedicando exclusivamente à casa e a família, o marido sentia ciúmes de sua esposa jovem e as agressões físicas iniciaram. “Por ser mais velho, ele sentia ciúmes”, relata Maraisa.

Na primeira agressão, ela saiu de casa e passou 17 dias com seus pais. Mas sua mãe a aconselhou a voltar para o marido, para criar as filhas. Segundo a mãe, era muito importante que mantivessem a família e as filhas fossem criadas com o pai.

Voltou a fazer

Depois dessa situação, a jovem decidiu manter silêncio sobre a violência que sofreu pela segunda vez. “Ele me empurrou da cama e quase tive os braços quebrados. Mas não contei a ninguém dessa vez”.

Após o nascimento da segunda filha do casal, os abusos continuaram. “Com meu bebê recém-nascido, decidi ir embora, após ter sido agredida na frente da minha filha de seis anos, que ficou traumatizada com o que presenciou. Ela tem medo, quando ele quer falar com ela, ela corre e se esconde. Não quero que minha filha passe por isso novamente”, explica a mãe.

Quando saiu de casa, seu ex-companheiro não disse nada. Ela buscou ajuda no Abrigo Mãe da Mata, local onde passou aproximadamente três semanas, com apoio e proteção. Depois, foi orientada a voltar para a família até se restabelecer.

Ao sair do abrigo, voltou a morar com os pais e seus três irmãos, que a apoiaram em sua decisão. Maraisa conta ainda que foi preciso entrar com um processo na defensoria para que ele venha pagar pensão para suas filhas.

Mesmo tendo o apoio familiar, ela pretende ir para a cidade e alugar um quarto para morar. Seus pais são agricultores e no local não tem escolas próximas para sua filha. O auxílio que recebe do Programa Bolsa Família, no valor de 172 reais, não é o suficiente para sustentá-las.

Separada há dois meses, conta que o ex-marido atualmente mora na capital Rio Branco. Quando liga, ainda faz muitas promessas, como a de comprar uma casa para eles viverem. E diz que dessa vez será diferente.