Projeto

Debaixo da copa das árvores: invisibilidade da violência contra mulheres em comunidades da Floresta Amazônica

A Amazônia possui paisagens naturais exuberantes, é a região de maior biodiversidade do planeta. Olhando de cima, é uma floresta que parece não ter fim, as árvores imensas, algumas com mais de 40 metros de altura, uma variedade de rios, animais, plantas. Mas também existem pessoas que habitam esses cenários, muitas vezes considerados inóspitos, como ribeirinhos, indígenas e extrativistas. As histórias das mulheres que vivem nesta região dificilmente são contadas fora dos limites de suas moradias.

Debaixo das copas de árvores, nas comunidades tradicionais, existem histórias de diferentes tipos de violência contra mulheres. Incesto, abuso de menores, casamento precoce, machismo, dependência financeira, feminicídio e misoginia. No Acre, desde 1852, quando chegaram os primeiros “forasteiros” – em sua maioria homens em busca de terras para a extração do látex e castanha – a vida  foi marcada por valores patriarcais e machistas, enraizados nos costumes.

A ideia de que vivemos em uma sociedade da informação, globalizada e conectada é impactada por questões geográficas e sociais em diversos espaços onde ainda há circulação limitada de conhecimento sobre direitos e possibilidades de reverter situações de opressão, como nos seringais, comunidades indígenas ou reservas extrativistas. O machismo é uma construção histórica, social e cultural que transcende ao longo dos anos, especialmente em locais onde o debate e a participação social das mulheres é restrita.

Segundo dados do Mapa da Violência 2015, o Acre ficou em 5º lugar entre os estados no Brasil onde mais se mata mulheres. A taxa de violência contra a mulher está acima da média nacional de 5,5 mulheres assassinadas ao ano, a cada grupo de 100 mil habitantes. Além disso, o estado consta como 1º lugar no índice de estupro no país, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014-2015.

Dados coletados pela Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres do Estado do Acre no ano de 2016 mostram que a maioria das vítimas é mulher negra ou parda. O maior índice de violência é psicológica, com 56% dos casos. Esta é uma violência considerada invisível, já que suas consequências não ganham visibilidade.

Os dados acima são os únicos existentes com a temática violência contra a mulher nas regiões mais afastadas da capital acreana e foram coletados em ações do projeto Mulher Cidadã.

Nesse contexto, é necessário compreender a realidade geográfica e cultural do Acre a partir de relatos das mulheres que vivem em comunidades de difícil acesso e das pessoas que conseguem promover acessibilidade a serviços públicos, informações e garantias de direitos em lugares remotos.

Acessos

  • 486 cliques
© Copyright 2017